Parece simples ser síndico. Na verdade, é simples quando você tem o conhecimento, habilidades e atitudes para exercer a função. Há muitos cursos no mercado, de 4 horas ate 160 horas, verdadeiras Pós-Graduações no setor condominial.

Todo curso é valido, do pequeno ao de maior duração, principalmente quando o aluno foca na educação continuada.

Síndico é uma atividade (ainda não posso chama-la de profissão) muito similar a um médico, a um advogado, cuja atualização nos aspectos tecnológicos e nos costumes da sociedade é mandatória.

Advogado que não se atualiza, com a constante mudança nas leis, esta fora do jogo. Médico que não estuda, está fora de atender com primazia. Há médicos e médicos, advogados e advogados e não seria diferente com os síndicos.

Você é bom de gente?Neste boom de mercado que vivemos (e na explosão de demanda que esta por vir), Darwin mais uma fez acertara em sua teoria: haverá uma seleção natural entre quem estuda, se atualiza, conhece o assunto e os amadores.

Esta seleção não é algo peculiar da sindicatura. Atualizar-se demanda tempo, talvez nosso recurso mais precioso, energia e, as vezes, um pouco de investimento.

Investir é acreditar em você, no seu potencial, no que você pode oferecer como produto ou serviço e principalmente nas seus caraterísticas de empreendedor. É acreditar no que ninguém pode tirar de você.

Todo este investimento é para um fim: que a sindicatura seja exercida, seja ela profissionalmente ou voluntariamente, pelas dezenas de milhares de síndicos residentes que, na grande maioria das vezes, por boa-fé são voluntários em seus condomínios.

Nesta jornada há um ponto que ressalto, talvez um dos poucos quase nunca abordados em cursos do Norte a Sul do país. Ser síndico não difere muito de um condomínio para o outro.

Você é bom de gente?Eu falo sério. Hoje estou síndico de condomínios pequenos, de alguns de médio porte e de outros que são verdadeiras cidades. A parte técnica é similar, os sistemas alteram um pouco. Os conflitos diferem em quantidade, mas não muito em tipo.

As vaidades condominiais também são bem parecidas, os egos também são similares, mas há um item que difere completamente de um condomínio para o outro: quem mora nele!

É amigo, quem mora naquele condomínio da rua A, difere completamente de quem mora na Rua B. Éis a questão!  Como líder com esta tamanha diversidade de pessoas, de comportamentos, de anseios, de carências e de dores condominiais? A primeira dica que dou, fruto de 11 anos no setor e 12 condomínios como síndico é apenas ser o que você é.

Não tente parecer ser o que você não é, ao final do dia ao invés de você ter exposto alguns pontos importantes, voltaras para casa com inúmeros conflitos internos. É um longo caminho.

Você é bom de gente?Uma segunda dica é gostar de gente. Ah amigo, isto requer uma habilidade tamanha na sociedade e nos condomínios. Morador é gente, gente reclama, para gente nada está bom, gente tem cheiro, gente é incoerente, gente pensa diferente de você, gente não tem paciência, gente quer ser ouvida, mas não quer deixar você falar, gente quer puxar a sardinha para seu próprio  lado sem ver o coletivo, gente é estranha mesmo como talvez eu seja ao escrever isto.

Gente é nossa matéria prima, condomínio não vive sem. Está certo que eu já fui síndico de uma “massa falida” que não tinha nem funcionário, nem morador, mas tinha um segurança. Segurança é gente.

Gente quer ser bem tratada, deseja cordialidade. Quer colocar para fora coisas que não estão relacionadas a função do síndico.  Gente quer te ligar de noite e vai reclamar se você não atender as 22h para falar da lâmpada do corredor que não acendeu. É, bem-vindo ao mundo dos que sobreviverão neste mercado.

Se você se assustou com o que escrevi, bem é melhor repensar as opções de serviços que você presta. Se você gosta de gente, sabe lidar com tanta diversidade, sabe permear pelo mar condominial, controla suas emoções, não quer dizer que você está sempre certo ao morador, é um bom ouvinte… bem-vindo ao setor condominial.

Com todas suas incertezas, que nada diferem do que nos temos em nossa sociedade. É então, você está preparado para realmente entrar neste setor?